Relatório de alterações de marketing: como mostrar o que mudou no período e por quê

Equipe Changeline · Publicado em · 8 min de leitura

Um relatório de alterações de marketing lista todas as mudanças feitas em anúncios, site, tracking e CRM em um período, com data, responsável, valores de antes e depois e o motivo. Lido ao lado dos números de performance, ele permite ligar uma variação de conversões, CPA ou ROAS às mudanças que vieram logo antes.

O que é um relatório de alterações de marketing?

O relatório de alterações de marketing é a parte “o que mudamos” de uma análise: uma lista datada das edições feitas em campanhas, orçamentos, criativos, site, tracking e CRM durante um período. O relatório de performance mostra o que se moveu; o de alterações mostra o que pode ter movido.

A maioria dos times já tem a matéria-prima. O Google Ads guarda um histórico de alterações, o GA4 guarda o histórico de alterações da propriedade e o time de desenvolvimento publica releases com data. O que falta é um lugar onde tudo isso fique junto, no mesmo período das métricas, escrito de um jeito que o cliente ou o gestor consiga ler.

O relatório é um recorte de um log de alterações de marketing: o log é o registro contínuo; o relatório é a fatia dele para uma semana, um mês ou um incidente.

  • Agências usam como a página “o que fizemos e por quê” do relatório mensal do cliente.
  • Times internos usam nas reuniões semanais de performance e depois de qualquer queda ou pico.
  • Analistas usam para confirmar ou descartar alterações antes de culpar a sazonalidade ou o tracking.

O que um relatório de alterações de marketing deve incluir?

Um bom relatório responde a cinco perguntas sobre o período: quantas alterações, de que tipo, onde, feitas por quem e quais importam. Monte nesta ordem.

  1. Período e total. As datas exatas (com fuso horário) e o número total de alterações, para dar a escala.
  2. Divisão por tipo. Investimento (orçamentos, lances), campanhas (estrutura, estratégia de lances, segmentação), criativos e públicos, tracking e site, produto/CRM/outros e incidentes da conta (reprovações, bloqueios de pagamento, quedas).
  3. Divisão por plataforma ou origem. Google Ads, Meta Ads, site, tracking, CRM e alterações registradas à mão.
  4. Destaques. De três a cinco alterações com maior chance de afetar o resultado, cada uma com o efeito esperado em uma linha.
  5. Detalhe. Uma linha por alteração: data, responsável, plataforma, item, antes → depois, motivo.

Exemplo da tabela de detalhe (valores ilustrativos, não são dados reais):

DataResponsávelPlataformaAlteraçãoAntes → depoisMotivo
03/09Ana (agência)Google AdsOrçamento diário da campanha de marcaR$ 500 → R$ 750Perda de parcela de impressões nos termos de marca
05/09Time de devSiteNovo template de checkout3 etapas → 1 etapaReduzir o abandono no checkout
09/09Marcos (cliente)TrackingTag de compra movida no Google Tag ManagerPágina de obrigado → evento de pedidoEvitar contagem dupla ao recarregar a página

A coluna de motivo é o que transforma um log em relatório. Sem ela, o leitor vê atividade; com ela, vê decisões.

De onde vêm as alterações do relatório?

Puxe primeiro o histórico de cada plataforma e depois acrescente o que nenhuma plataforma registra. A tabela mostra o que cada fonte oferece e seus limites, segundo a documentação do Google.

FonteO que registraLimites
“Histórico de alterações” do Google AdsAlterações por usuário, campanha e tipo; filtros “Usuário”, “Ferramenta”, “Tipo de alteração” e “Item alterado”Cobre os últimos 2 anos; a maioria das alterações só pode ser desfeita em até 30 dias
change_event da API do Google AdsData e hora, e-mail do usuário, tipo de cliente, valores antigos e novosSó os últimos 30 dias; até 10.000 linhas por consulta
Histórico de alterações da propriedade no GA4Mudanças no Administrador (fluxos de dados, vinculações, configurações) com quem e quando, além do estado antes e depoisÚltimos 2 anos; exige o papel de Editor; só parte das mudanças automáticas do sistema aparece
Anotações do GA4Notas nos gráficos de linhas para uma data ou um intervaloAté 1.000 por propriedade; título com 60 e descrição com 150 caracteres
Site, CRM, offlineNada automáticoPrecisa ser registrado pelo time

No Google Ads, a página Histórico de alterações tem as guias “Por usuário”, “Por campanha” e “Performance”, e o filtro “Ferramenta” separa as edições feitas na interface das feitas por regras automáticas, pela API ou pelo Google Ads Editor. Essa separação importa no relatório, porque “nós mudamos” e “uma regra ou ferramenta mudou” levam a conversas diferentes.

No Meta, use o histórico de atividades da conta, como explicamos no guia do histórico de atividades do Meta Ads.

Como montar um relatório de alterações de marketing passo a passo?

Use o mesmo período do relatório de performance, reúna as alterações de todas as fontes em uma lista, tire o ruído e escreva os destaques por último.

  1. Defina o período. Mesmas datas de início e fim das métricas que você vai mostrar, no fuso horário da conta.
  2. Colete. Histórico de alterações do Google Ads, histórico de atividades do Meta, histórico de alterações e anotações do GA4, notas de release do time do site, edições em fluxos do CRM e eventos offline (mudança de preço, ruptura de estoque, promoções).
  3. Padronize. Uma linha por alteração, sempre com as mesmas colunas: data, responsável, plataforma, item, antes → depois, motivo.
  4. Agrupe o ruído. Uma edição em massa de 300 palavras-chave vira uma linha (“pausamos 300 palavras-chave de baixa qualidade em Genérica”), não 300.
  5. Agrupe por tipo e plataforma e conte cada grupo.
  6. Escreva de três a cinco destaques com o efeito esperado: “orçamento +50% em Marca, esperamos mais cliques de marca com CPC parecido”.
  7. Coloque ao lado das métricas para que cada destaque seja lido junto do gráfico dos mesmos dias.

Se as alterações já estão em uma linha do tempo única, boa parte disso já está feita. No Changeline, o botão Relatório de um projeto gera um relatório de alterações de duas páginas para os últimos 7, 14 ou 30 dias ou para duas datas que você escolher: o total, a divisão por grupo e por plataforma, destaques editáveis e o detalhe com datas e valores de antes e depois, salvo em PDF pelo navegador.

Como usar o relatório para descobrir o que causou uma mudança no resultado?

Coloque todas as alterações dos dias anteriores à variação em uma linha do tempo, descarte o tracking primeiro e teste uma hipótese de cada vez. O relatório de alterações é a matéria-prima dessa checagem, então monte-o antes de começar a chutar.

  1. Marque o dia em que a métrica mudou e liste todas as alterações dos 7 a 14 dias anteriores, em todas as plataformas, incluindo as automáticas.
  2. Descarte o tracking. Procure primeiro mudanças em tags, consentimento, ações de conversão ou no Administrador do GA4. Se as conversões caíram e as vendas no CRM não, o problema é de medição, não de performance.
  3. Separe suas edições da automação. Use o filtro “Ferramenta” do Google Ads para ver o que regras, scripts ou recomendações mudaram.
  4. Confira eventos externos: releases do site, mudanças de preço, estoque, feriados, promoções da concorrência.
  5. Teste uma hipótese de cada vez, começando pela alteração mais próxima no tempo e de maior alcance, e procure o mesmo padrão só nas campanhas afetadas.

Exemplo: as conversões caem 30% a partir de 10 de setembro. O relatório mostra uma tag de compra movida em 9 de setembro e um aumento de orçamento em 3 de setembro. A tag mudou um dia antes da queda e afeta todas as conversões, então é checada primeiro. Os pedidos no CRM estão estáveis, o que confirma uma causa de tracking. É um caso ilustrativo, não dados de cliente.

As edições do Google Ads podem ser importadas para o Changeline automaticamente por uma conexão somente leitura; as alterações de site, tracking e CRM são registradas pelo time. Para o método completo, veja por que as conversões caem e como achar a causa e como medir o impacto de uma alteração.

Quais erros tornam um relatório de alterações inútil?

A maioria dos relatórios de alterações falha porque lista atividade sem contexto. Estes são os problemas mais comuns e como resolver cada um.

  • Ruído. Centenas de linhas por palavra-chave escondem as cinco alterações que importam. Agrupe edições em massa e comece pelos destaques.
  • Sem data ou fuso horário. “Começo de setembro” não dá para cruzar com um gráfico. Use datas exatas no fuso da conta.
  • Sem antes e depois. “Orçamento alterado” não diz nada; “R$ 500 → R$ 750” diz.
  • Sem motivo. Sem o porquê, o cliente não consegue avaliar a decisão e você não consegue avaliá-la depois.
  • Uma plataforma só. Um relatório feito só com o Google Ads deixa de fora o release do site que causou a queda.
  • Esperar demais. A API do Google Ads só devolve 30 dias de eventos de alteração e a maioria das mudanças na interface só pode ser desfeita em até 30 dias; colete enquanto os detalhes estão frescos.

Com que frequência enviar o relatório de alterações, e para quem?

Envie no mesmo ritmo da análise de performance que ele explica: semanal para o time interno, mensal para clientes e gestores e pontual depois de qualquer incidente.

  • Semanal, interno: o detalhe completo, para o time saber o que foi mexido e evitar testes sobrepostos.
  • Mensal, cliente ou gestor: total, grupos e destaques na primeira página; o detalhe como anexo.
  • Depois de um incidente: só as alterações dos dias anteriores à variação, com a hipótese em teste.
  • Trimestral ou anual: compare as mesmas semanas do ano anterior para ver quais alterações você repete a cada temporada.

Para manter a lista de origem organizada entre um relatório e outro, comece por um modelo de log de alterações de marketing. Quando o relatório tiver de explicar um mês ruim, o guia sobre como explicar uma queda de conversões ao cliente mostra como apresentar.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre relatório de performance e relatório de alterações?

O relatório de performance mostra o que aconteceu com métricas como cliques, conversões, CPA ou ROAS. O relatório de alterações lista o que o time, as plataformas e outras pessoas mudaram no mesmo período, com datas, valores de antes e depois e motivos. Lidos juntos, mostram quais alterações podem explicar a variação dos números.

Dá para exportar o histórico de alterações do Google Ads para um relatório?

As páginas de ajuda do Google sobre o histórico de alterações descrevem como ver e filtrar mudanças por usuário, campanha, tipo de alteração, ferramenta e item nos últimos 2 anos, mas não descrevem um formato de exportação. Para extrair de forma automática, o recurso change_event da API do Google Ads devolve valores antigos e novos, limitado aos últimos 30 dias.

Até quando posso voltar no tempo em um relatório de alterações?

O histórico de alterações do Google Ads e o histórico de alterações da propriedade no GA4 cobrem os últimos 2 anos. O change_event da API do Google Ads cobre só os últimos 30 dias. Alterações de site, CRM e offline só existem se alguém registrou, então um log próprio e permanente é a única forma confiável de relatar períodos mais antigos.

Alterações automáticas devem entrar no relatório?

Sim. Alterações feitas por regras automáticas, scripts, pela API ou pelo Google Ads Editor também aparecem no histórico de alterações do Google Ads e podem mexer no resultado tanto quanto as manuais. Identifique-as separadas das edições do time, para o leitor saber o que foi decisão e o que foi feito por uma ferramenta.

Quantas alterações devem entrar nos destaques?

De três a cinco por período bastam para a maioria dos clientes e gestores. Escolha as alterações de maior alcance ou mais próximas de uma variação de métrica e acrescente uma linha com o efeito esperado. Mantenha a lista completa no detalhe ou em um anexo para quem quiser conferir.

Fontes

  1. Sobre o histórico de alterações – Ajuda do Google Ads
  2. Analisar o histórico da conta – Ajuda do Google Ads
  3. Change Event – API do Google Ads
  4. [GA4] Histórico de alterações da conta/propriedade – Ajuda do Google Analytics
  5. Sobre as anotações – Ajuda do Google Analytics

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