Porque caiu o tráfego orgânico? Como encontrar a alteração por trás da queda

A equipa do Changeline · Publicado a · 8 min de leitura

O tráfego orgânico cai normalmente por um de seis motivos que o próprio Google enumera: atualização de ranking, problema técnico (rastreamento, indexação, robots.txt, noindex), problema de segurança, violação das políticas de spam, sazonalidade ou migração do site. Confirme a queda no Search Console, coloque todas as alterações dos dias anteriores lado a lado e teste uma causa de cada vez.

Porque caiu o tráfego orgânico do meu site?

A maior parte das quedas orgânicas tem uma de seis causas, enumeradas no guia do Google sobre quedas de tráfego na Pesquisa: atualizações de algoritmo, problemas técnicos, ameaças de segurança, violações de spam, sazonalidade ou mudança de interesse, e migrações de site. Antes de alterar seja o que for, convém perceber qual delas se aplica.

A dificuldade é que várias acontecem ao mesmo tempo. Uma atualização principal é lançada na mesma semana em que a equipa de desenvolvimento publica um novo modelo de página, enquanto uma alteração no banner de cookies reduz o que o GA4 regista. Quem reage à causa errada acaba por reverter uma alteração boa e manter a má.

Trate a queda como uma investigação com poucos suspeitos:

  • O Google mudou: uma atualização principal ou outro ajuste de ranking.
  • O site mudou: migração, novos URLs, redirecionamentos, robots.txt, noindex, modelos, títulos, ligações internas, páginas eliminadas, erros de servidor.
  • A medição mudou: etiqueta do GA4, consentimento, filtros, agrupamento de canais.
  • A procura mudou: sazonalidade, uma notícia, menos pessoas a pesquisar o tema.
  • Há algo errado: ação manual ou problema de segurança.

O resto do artigo mostra por que ordem confirmar ou excluir cada um.

A queda é real ou é um problema de medição?

Veja o Search Console antes do GA4. O Search Console conta impressões e cliques do lado do Google, pelo que uma etiqueta avariada, uma alteração de consentimento ou um filtro novo no analytics não mexem nesses números.

  1. Abra o relatório de performance do Search Console para as mesmas datas da queda no GA4.
  2. Se os cliques no Search Console estão estáveis e as sessões orgânicas do GA4 desceram, os visitantes continuam a chegar. O problema está na medição: etiqueta retirada de um modelo, banner de cookies alterado, filtros de dados do GA4 ou alterações ao agrupamento de canais. O artigo sobre quedas de tráfego no GA4 descreve estas verificações.
  3. Se ambos desceram no mesmo dia, a perda é real. Siga os passos abaixo.

Um pormenor: o Google indica que os sites apresentados em funcionalidades de IA, como os AI Overviews e o AI Mode, são contabilizados no relatório de performance dentro do tipo de pesquisa Web. Não é possível separar esses cliques aí, por isso não assuma que uma descida em Web se deve apenas ao ranking clássico.

Como distinguir uma atualização do Google de uma alteração no próprio site?

Compare a data da queda com o painel de estado da Pesquisa Google e com o histórico de alterações do site. Se a queda começa dentro do período de uma atualização e nada mudou no site, a atualização é a principal suspeita. Se começa no dia a seguir a uma publicação, comece por essa publicação.

O Google faz atualizações amplas várias vezes por ano. A documentação sobre atualizações principais recomenda esperar pelo menos uma semana completa depois de a atualização terminar antes de analisar o site no Search Console, e refere que a recuperação pode levar de alguns dias a vários meses.

A forma da queda também diz muito:

O que observaCausa provávelPrimeira verificação
Pequenas variações de posição (p. ex., de 2 para 4) em muitas pesquisasOscilação normal ou atualização de rankingDatas no painel de estado
Grandes descidas de posição (p. ex., de 4 para 29) em muitas páginasAtualização de ranking ou problema de qualidadeQue tipos de página perderam e se partilham o mesmo modelo
Impressões quase a zero num grupo de URLsIndexação: noindex, robots.txt, canonical, páginas eliminadasRelatório de indexação de páginas e inspeção de URL
URLs antigos perdem e os novos ganham devagarMigração em cursoMapa de redirecionamentos e relatório de sitemaps
A mesma descida do ano passado, nas mesmas semanasSazonalidadeVista dos últimos 16 meses e Google Trends
O site inteiro cai de uma vezAção manual, segurança ou erro técnico geralRelatórios de ações manuais e de problemas de segurança

Os exemplos de posição vêm do guia do Google, que considera pequena uma descida de 2 para 4 e grande uma de 4 para 29, e desaconselha alterações radicais quando as páginas continuam a ter bom desempenho.

Que alterações no site fazem cair mais o tráfego orgânico?

As mais perigosas são as que alteram o que o Google consegue rastrear, indexar ou compreender. Verifique cada uma face à data da queda:

  • Migrações e mudança de URLs: novo domínio, passagem para HTTPS, nova estrutura de URLs, secções fundidas. O guia de mudança de site do Google refere que o ranking pode oscilar enquanto o site é novamente rastreado, que sites de dimensão média podem levar algumas semanas ou mais a mostrar os novos URLs e que os redirecionamentos devem manter-se, em geral, durante pelo menos um ano.
  • Bloqueios: uma regra no robots.txt ou uma etiqueta noindex que passou do ambiente de testes para produção.
  • Redirecionamentos: eliminados, em cadeia ou a apontar para a página inicial em vez da página equivalente.
  • Modelos de página: novos títulos, cabeçalhos ou conteúdo escondido em separadores ou scripts num tipo de página inteiro.
  • Ligações internas: menu ou rodapé redesenhado sem ligações para categorias importantes.
  • Limpeza de conteúdo: páginas apagadas ou fundidas sem redirecionamento.
  • Servidor e alojamento: indisponibilidade, lentidão ou erros visíveis no relatório de estatísticas de rastreamento.

Quase sempre, estas alterações são feitas por programadores, consultores de SEO ou por uma atualização de plugin do CMS, e não por quem acompanha o tráfego. É por isso que a causa costuma ser invisível para quem vê a queda.

Como isolar a causa de uma queda de tráfego orgânico?

Coloque todas as alterações dos dias anteriores numa única cronologia, exclua primeiro a medição e teste uma hipótese de cada vez. É o mesmo método do nosso guia de análise de causa raiz.

  1. Fixe a data de início. No relatório de performance, encontre o primeiro dia de descida em cliques ou impressões, não o dia em que alguém reparou.
  2. Reúna as alterações dos 14 dias anteriores. Publicações, atualizações do CMS e de plugins, redirecionamentos, edições ao robots.txt, conteúdo eliminado, mudança de alojamento, alterações de medição, atualizações do Google e acontecimentos externos.
  3. Exclua a medição. Search Console face ao GA4, como acima.
  4. Segmente a perda. Filtre por página, pesquisa, país, dispositivo e tipo de pesquisa. Uma descida concentrada numa pasta aponta para uma alteração nessa pasta. Uma descida em todos os tipos de página aponta para o Google ou para uma alteração ao site inteiro.
  5. Cruze segmento e alteração. Se só os URLs do blog perderam impressões e o modelo do blog mudou nessa data, essa é a primeira hipótese.
  6. Teste uma hipótese. Use a ferramenta de inspeção de URL em algumas páginas afetadas, confirme o robots.txt publicado e siga os redirecionamentos. Corrija uma coisa, registe a data e acompanhe o segmento.

Exemplo: uma loja online perde 30% dos cliques orgânicos em duas semanas. O Search Console confirma, portanto não é medição. A perda está apenas nos URLs de /produtos/. A cronologia mostra o lançamento de filtros de categoria no primeiro dia, que colocou noindex nas páginas filtradas e, por engano, nas categorias principais. Retirar a etiqueta das categorias é a primeira correção a testar. (Exemplo ilustrativo.)

Se tiver de explicar a queda ao cliente enquanto investiga, o guia sobre como explicar uma quebra de conversões ao cliente tem uma estrutura que também serve para tráfego.

Como usar o Search Console para delimitar a queda?

Use o período, a opção Comparar e os filtros do relatório de performance e marque as datas das alterações com anotações. O guia do Google sugere:

  • Últimos 16 meses: mostra se a mesma descida aconteceu no ano anterior (sazonalidade).
  • Comparar: últimos 3 meses face ao período anterior, ou ano contra ano.
  • Filtros: tipo de pesquisa, página, pesquisa, país e dispositivo, além da posição média, para ver onde está a perda.

Depois, consulte os relatórios de indexação de páginas, de estatísticas de rastreamento, de ações manuais e de problemas de segurança à procura de algo que tenha começado perto da data.

O Search Console também permite anotações personalizadas nos gráficos de performance. Segundo a ajuda do Google, cada nota tem até 120 caracteres, uma propriedade aceita até 200 anotações, estas são partilhadas com todos os proprietários e utilizadores com acesso total, e as anotações com mais de 500 dias são apagadas automaticamente. Também não aparecem no modo de comparação. Use-as, mas não como único registo. No analytics, a mesma ideia está no nosso guia de anotações no GA4.

Como evitar a próxima queda sem explicação?

Torne cada alteração que pode afetar o orgânico visível para quem faz o relatório, no próprio dia. A maioria das quedas demora dias a diagnosticar porque ninguém sabe dizer o que mudou.

  • Registe publicações, redirecionamentos, robots.txt e modelos com data, responsável e motivo.
  • Acrescente as datas de início e fim das atualizações do Google ao mesmo registo.
  • Inclua as alterações de medição, para as excluir em minutos.
  • Reveja o registo sempre que os cliques saírem da variação semanal habitual.

Um registo de alterações de marketing partilhado resolve isto. O Changeline reúne as alterações de SEO, site, medição e publicidade de cada cliente numa cronologia à escala, para que a pergunta «o que mudou antes da queda?» tenha resposta. É gratuito durante o acesso antecipado: comece o seu registo no Changeline.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora a recuperar de uma atualização principal do Google?

O Google indica que algumas alterações produzem efeito em poucos dias, mas pode levar vários meses até os sistemas confirmarem que o site, no seu todo, produz conteúdo útil e fiável. Espere pelo menos uma semana após o fim da atualização para analisar os dados e evite alterações radicais se as páginas continuam a ter bom desempenho.

É normal o tráfego orgânico cair depois de uma migração de site?

Alguma oscilação é esperada. O Google refere que o ranking pode variar enquanto o site migrado é novamente rastreado e indexado, e que sites de dimensão média podem levar algumas semanas ou mais a mostrar os novos URLs. Se a queda continua a aumentar, procure redirecionamentos em falta ou errados, URLs bloqueados ou páginas eliminadas.

Porque caiu o tráfego orgânico no GA4 mas não no Search Console?

O Search Console conta cliques do lado do Google, pelo que não depende da configuração do analytics. Se as sessões orgânicas do GA4 desceram e os cliques do Search Console não, verifique a etiqueta do GA4 nos modelos, alterações ao banner de cookies, filtros de dados e o agrupamento de canais antes de mexer no SEO.

Como saber se o Google penalizou o site?

Abra o relatório de ações manuais no Search Console. Se um revisor aplicou uma ação manual, aparece aí com as páginas afetadas. As alterações algorítmicas de ranking não são penalizações e não constam desse relatório, por isso compare a data da queda com o painel de estado da Pesquisa Google.

Os AI Overviews aparecem em separado no Search Console?

Não. O Google indica que o tráfego de funcionalidades de IA, como os AI Overviews e o AI Mode, entra no relatório de performance no tipo de pesquisa Web, juntamente com os restantes resultados. Não é possível filtrá-lo aí, por isso tenha isso em conta ao interpretar variações nos cliques de Web.

Fontes

  1. Depurar quedas no tráfego da Pesquisa Google
  2. Atualizações principais da Pesquisa Google
  3. Mudanças de site com alteração de URL
  4. Anotações do Search Console
  5. Funcionalidades de IA e o seu site
  6. Painel de estado da Pesquisa Google

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